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Fantasia

COMO O MAR

COMO O MAR

 

Minha vida é como o mar,

Tem marés e maresia,

Tem dia de preia-mar,

E tem outros de vazia.

 

A lua também m’ atrai,

Em noites de lua cheia,

E o tempo passando vai,

Neste luar que m’ enleia.

 

Só quando há tempestade,

Nem o luar aparece,

Só encontro a saudade,

TARÂNTULA

 

 

não sei o que peço ou por que?           

se perco um pouco a fé

se protejo ou desfaço

se puxo de novo e prendo

se amarro ou desato no ato

o touro com a marca do zorro

no logradouro da mansão soterrada

recuperada da terra só

trespassada pela estrada de pó

ressentida e banida do tráfego normal

tarântula que caiu em teia alheia

e passeia em sua espiral

 

 

PARECE

 

 

parece

mas não tem aparência

não tem forma

nem condiciona sua presença

a uma série previsível

mas que informa seu formato

ao núcleo nela contido     

uma réplica duplicada

que se reproduz nesse cenário

transformada em norma

para ser cumprida

para caber em sua medida

sem forçar a barra

sem traçar a estrada

que levará ao delírio

parece um susto no ar

um musgo a vagar

pela pedra imobilizada

tentando nela se propagar

como ondas do mar

NESGA DE AZUL

NESGA AZUL

 

Olhando a falésia escarpada,

Que plúmbea, me abisma o pensamento,

Sinto a minha alma encarcerada,

Ávida de seguir os quatro ventos.

 

Só uma nesga azul é descoberta,

Por onde entra o sol que m’ encandeia,

Nesta paisagem sombria e deserta,

A única razão que me enleia.

 

Mas, penso que apesar da mortalha,

LAVADEIRA

LAVADEIRA

 

Oh! Lavadeira que lavas,

Nas frescas águas do rio,

Amansas as águas bravas,

Quer faça calor ou frio.

 

Nem a frescura das águas,

Apagam o teu fulgor,

Só tu lavas minhas mágoas,

Quando perdes o pudor.

 

Lavadeira que te lavas

E eu tanto m’ inebrio,

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