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RETOMANDO O RUMO

 

 

 

reler a luz

provisória dos esboços

como se apura

o pus

nas feridas das trevas

-paisagens difíceis

entre cipós revoltos

(como ninho de najas)

a confundir

o mérito desses versos

com incontestes

desvios de rumo

em que o poeta

se supera e retoma

o mérito

de não recuar

à sua pretensão

de esteta de palavras

e pacato artesão  

 

 

 

 

 

 

 

 

ISENÇÃO

 

 

 

no solo

           soterra-se toda

           edificação

 

na orla do mar

           só há erosão

 

no ar paira apenas

            a vocação do voo

 

-por que tem que ser assim

  se se requer somente isenção?

 

 

No dia em que eu nasci

No dia em que eu nasci 

O mundo não parou 

O mundo nunca para 

 

No dia em que eu nasci

Foi feriado 

Não nevou 

Nem fez calor 

Só o meu coração roto aqueceu o coração da minha mãe 

 

No dia em que eu nasci

Não nasci só

Nasceu uma mae, o medo e a coragem 

 

Desde esse dia, sei que não estou sozinha 

Teopoesia

Um minuto sem escrever
É como um sono perene,
Pesadelo em que morrer
É estar sob o verso solene,
Os filósofos acordaram
E abriram a única fenda,
Iluminando e mataram
O sacrifício da oferenda.
Ritos para Deus,
No qual se glorifica
O último sagrado adeus,
Despedindo-se da poesia.

POEMA É A LUZ QUE BRILHA LÁ NO CÉU...

Lá vai o poeta com sua coroa de louro, 
Sopa de letrinhas, salada de palavras
E seus moinhos de vento para mover o dom, 
Seduzir pedras, catedrais, corações e mentes!
Escrever é preciso para eu viver e navegar!
Escrevo sem ver o tempo passar e ver até onde vai dar essa paixão sem limites!
Escrevo até uma folha acabar, sem dessa 'folha precisar'...
Escrevo só com o pensar! 
Penso... e concluo que não existo sem versar!

Progênito

Criador das circunstâncias
Estarei aqui quando partir.
Para criar novas mazelas,
Gozarão da vida e sumir.
É uma pena que seja assim,
Eu te amo, mas a morte, não.
Criar é matar, existir implica sorrir,
Porém, o brilho do afago apaga.
A quem escrevo está presente
Permanente na torrente:
Na cachoeira é existente.
A pedra no caminho é o acaso
E o estrondo no solo: o tempo
A nadar no naufrágio da morte.

O fogo que arde sem se ter

Ardendo sem se ver,
O fogo então apagado,
Putrefação não vai ter,
Nem será queimado.
O caixão é invisível,
O defunto, é o pó,
Voando e destemível,
Sozinho, sozinho, só.
Eterno éter a vagar
Numa noite fúnebre.
Fantasma a malograr
O terreno insalubre.
Se o amor é fogo
E arde sem se ver,
Morre lá no lodo
Chafurda sem se ter.

 

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