Meditação

CICLOS

Cada passo mais afastado do relógio da vida,

rompi com o sonho impercetível e murmurado.

Trepo ao céu, agarrado às letras e ao vento,

flutuando no espaço ao sabor da corrente,

ávido dos silêncios que a noite provida.

Esperança ardente num sonho, sonhado

em louca espiral da pressa! Isole-me no advento

do tempo, que acaba e se estagna à minha frente...

 

Uma melodia! Uma luz se aproxima! Tudo faz sentido.

Quantas solidões para ver? Quantas vidas para aprender.

Reinicio

Consolido o tempo,

Liquido tudo,

Evaporo, viro pó…

 

Reinicio,

Retorno,

Removo,

Reparo.

 

Apareço e sumo no espaço

De repente

Deixo claro

Suas sombras, seu passado…

 

Dissolvo

De novo;

Resolvo

E me salvo.

 

Deixo pra lá,

Trago para aqui

E me levo para ti.

 

Atravesso,

Ultrapasso,

Extravaso…

 

Saio por aí

De mãos dadas

E passos largos.

A falta que me faz

O dia sobra muito

e a rotina petrifica a evolução.

Carros passam, enxurrada lava

as calçadas, sons se repetem,

ecos de uma memória perpétua.

A fadiga torna o marasmo

um lugar de exílio.

É fácil brincar de esconde-esconde com a monotonia

que se fez morada nas folhas caídas do meu quintal.

Enquanto segue a fio o céu de estio,

lobos caçam.

Farejam o sangue e salivam com suas 

línguas ferinas expostas.

Buscam em suas presas, pedaços de vidas para preencher o vazio 

deixado pelo esmo.

Teus Olhos Entristecem

Teus olhos entristecem
Nem ouves o que digo.
Dormem, sonham esquecem...
Não me ouves, e prossigo.

Digo o que já, de triste,
Te disse tanta vez...
Creio que nunca o ouviste
De tão tua que és.

Olhas-me de repente
De um distante impreciso
Com um olhar ausente.
Começas um sorriso.

um palácio transcendental

segrego os encantos da vida nos antípodas dos desafetos observados agora como minudências estilhaçadas contra as paredes da minha autonomia; segrego o exame dos impulsos que foram arruinando a minha lucidez e da compleição que fui erigindo contra as trepidações das hostilidades.

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