Prosa Poética

Preso

Sinto-me preso
Encarcerado em ciclos viciosos
De masturbação compulsiva
E bebedeira descontrolada
Entalado entre pensamentos impuros
Que circulam entre o misogenismo
E a pedofilia
Rodeado por grades
Que me fazem transitar
Entre a sanidade e a loucura,
A tristeza e a alegria,
O gosto pela vida e a ânsia pela morte
A culpa por tudo é grande,
Mas as tentações cedidas pelo diabo
E pelos que com ele corroboram
É cem vezes maior
E o meu génio fraco
Faz com que ceda a tudo,

Paranoia

Eu me sinto vigiado a toda hora, os carros, as nuvens, os celulares, tudo é motivo de desconfiança. Os urubus voam sobre mim, desmentindo qualquer fim. A cada batida de asa me enlouquecendo, mais certeza tenho sobre como sou o escolhido. A paranoia namora a esquizofrenia, e eu sou o amante delas. Sinto fantasmas olhando meus erros. Vejo minha tela de dentro recebendo suas sinapses, e até disso desconfio.

Complexo de Caim

Estamos na era da recompensa, recebendo agrados por nada. O hedonismo como ordem é a nova perspectiva moderna. Estamos indiferentes, uma desordem generalizada. Afirmo sem receio que nossa sociedade venera o thelemismo: façamos o que queremos e o todo é lei. Após a ruptura com a moral e a metafísica, nos sentimos deuses da própria história. Talvez sejamos, mas temos algo mais intrínseco: o complexo de Caim.

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