Trovas

 

Eu vendi, vendi fiado,

e então fechou a porta,

eu estou aqui pelado, 

Quem deve não se importa.

                  ***

Com uma mão na frente,

e a outra mão atrás,

negociar com gente,

Alguém que não é capaz.

                ***

Eu nesta situação,

porque vendi fiado,

é gente sem coração,

Melhor mexer com gado.

De: Madalena Cordeiro

 

OUTONO MEU

O espelho lembra-me
Todos os dias que a maturidade
Caminha connosco toda a vida
Que nos permite olhar a vida sem ilusões 
E aceitar o sofrimento com mais tranquilidade 
Fazendo dele a prioridade no retorno com carinho 
Como um investimento repleto de luz interior
Na minha velhice anunciada outono meu.

CALO-ME MEU AMOR

Calo-me com as palavras que tento ler-te
Embebedo-me nas letras que vou escrevendo
E é pelo teu amor que vou ficando louca
Tu roubas-me a lucidez quando a tua boca
Apodera-se dos meus seios já embriagada 
Pelas palavras que me turvam os sentidos 
Quando escrevo uma prosa de nos dois 
E me sinto seduzida deste prazer da escrita 
Num corpo desejado o teu de tantos gemidos nossos
Cala-me outra vez que eu preciso
Nesta ébria poetica onde me deito contigo

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