Ensinamento do dia

Ensinamento do dia

 

O problema, no fim, não é ter uma episteme, uma moral ou um sinônimo qualquer que designe uma referência de sedimentação antropocêntrica, mas sim que tal vetor basilar se torne ou se apresente como um status divino, no sentido de garantir um sistema incontestável, direta ou indiretamente, que solapa a si mesmo para germinar a si mesmo. O quanto se é inevitável que uma camada seja película e costure uma realidade, linguagem que polirá a si até refletir a si, sempre refletindo ao outro, uma imagem tão perfeita quanto distorcida e tão coerente quanto efêmera, é o solo, mas é a lama. Andar sobre as nuvens, despencar sobre os sonhos. Lembra quando nada lembrava e o que lembrava não era lembrança, quando a tudo falava e o que falava não era palavra, quando por parte sorvia e parte nutria sem sorver e sem nutrir, engatinhando sem nunca estar sobre os próprios pés, nunca levantar e nem saber que engatinhava, sempre constante e sempre inconstante, onde voltar ou seguir em frente era o mesmo que seguir em frente e votar. O que se pode ser feito para que o revestimento revista e folheie o destino? Ele já o faz, ele sempre o fará e sempre o fez, mas no mesmo inevitável de nunca revestir, não por evitar o fazer, mas devido ao fato de o fazer se apresentar exatamente ao não o concretizar. Ou flutua, ou se afoga, de todo modo, se dissolve. Muito mais que concretizar, se é concretizado, ser concretizado é o mesmo que ser pedra, nada mais, nada menos, permanecer pedra é concretizar a si mesmo e escolher a densidade que só conhece a fundo a escuridão. “No princípio deus criou o céu e a terra. A terra era invisível e informe. As trevas estavam sobre o abismo”

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Comentários

Excelente!

Muito obrigado Rogério!!! ^^