Ensinamento do dia

Ensinamento do dia

 

Não há moral em episteme, mas toda episteme é moral. Tal seja que qualquer conhecimento é limitado a um código de conduta de significado aleatório, insignificante, mesmo que digno de localização, variante no tempo e em si; apreendido como diretivo, só pode direcionar para um afunilamento mais ou menos errático e necessariamente hermético. Deus da existência e da linguagem, da razão e da decadência atordoante ante sua própria rotina de moldagem e aprisionamento. Cada episteme é uma relação, cada relação um entendimento e estabelecimento de circunstâncias, sendo tais, novamente, estéreis e assépticas, cortando a carne e moldando o sangue. O valor ao qual equivale, em sua plenitude, se realiza tal qual a semelhança de um grão de areia no deserto. Sua prática, voraz, se denomina na mais alta escala de preconceito epistêmico, no sentido de determinação, anulação e negação de seu desconhecimento, de coerção e apagamento na forja de uma convenção metódica de adestramento. A trilha das pedras exige que elas sejam polidas, que sejam preciosas, que tenham finalidade, funcionalidade, propositalidade e destino. Em razão, o que propagam é um aniquilamento de si e do outro em uma relação de subjugo justificado, sempre justificado, entremeando a naturalidade domada para ser o vigente. Esse ápice de potência página branca, se rabisca e não se apaga, se rasura, mas não volta atrás, pois voltar atrás é deixar de escrever, de ser, de escravizar a si mesmo ao se tornar um si mesmo. De alucinar um outro ao se tornar um outro. De digladiar sem qualquer honra ou respeito verdadeiro pela coexistência na inexistência, sempre sangrando um destino de conceito na infindável lástima bestial humana.

 

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