Ensinamento do dia

Ensinamento do dia
 
Quantas pessoas são necessárias para se trocar uma lâmpada? Uma pergunta. A qual possui quantas respostas desejarmos, tal que sejam imensuráveis e brutais. Cada resposta remete a uma pergunta diversa, diferente em igualdade, que pode ser elaborada como quisermos, todas possuem o mesmo valor e valores iguais, em última instância, se anulam. Cada conjunto de perguntas e respostas são equivalentes uma a outra. Para se trocar uma lâmpada, uma pessoa. Para se trocar, duas pessoas, uma segura a cadeira, para se trocar, três pessoas, uma constata que a anterior queimou, para se trocar, quatro pessoas, uma compra a lâmpada, para se trocar, cinco pessoas, no passado, uma instalou a fiação elétrica, e mesmo que tudo isso tenha sido feito por apenas uma pessoa, essa pessoa nasceu, então, no mínimo, precisamos de três pessoas. Tudo depende do ângulo e da escala em que se escolhe responder à pergunta, e assim, infinitamente, em todas as direções, todas as respostas respondem e são plenas, todas as perguntas são respondidas e são plenas, mesmo um “não sei” responderá; e, consequentemente, uma pergunta e uma resposta só serão plenas caso, igualmente, possuam infinitas valorações equivalentes, diversas e sem valor, a escolha de uma depende da escolha de todas. Para se entender um sistema, deve-se isolar um fragmento, chamá-lo de resposta e, ao mesmo tempo, ignorar o sistema. Uma pessoa pode trocar, mas ela só pode trocar devido à cadeia de relações, seja esta humana, seja para além, só se efetuará a troca, pois alguém criou o vidro, a lâmpada, nomeou a luz, estabeleceu a residência, a cadeira, a madeira; e devido a um não alguém, o qual é considerado como objeto para além do sujeito, mas novamente, nenhum dos dois difere, sua fronteira é uma resposta dentre infinitas, informe. A cadeia é a totalidade e a totalidade é a dissolução da resposta em nulidade de valor. Entretanto, se se almeja trocar uma lâmpada, será necessário que se decida por trocá-la, mesmo em ilusão, assim como outro desejo, qualquer que seja, se o ambiciona real, deverá o construir em sua ilusão com suas próprias mãos. Caso sejam necessárias mais do que as suas mãos, deverá cooperar com as ilusões alheias de mesma direção para construir a sua realidade. Caso não coopere, quem cooperar e ambicionar uma direção diversa, irá sobrepor a sua realidade, nisso, terá então de viver junto à realidade construída por uma pessoa, ou conjunto de pessoas, e irá, por omissão, cooperar com o desejo alheio. Caso haja conflito de desejos, como sempre há, eles se misturam no caos moral presente e constante que desponta em todas as pontas em um fluxo de transformação imensurável e brutal.

 

Género: