Perseverança do dia. Caso 09.

P.D. Caso 9.
 
O bambino era confiante, portava um belo relógio de cinco dígitos, um belo terno de linho preto e uma bela maleta de couro, 53 anos de orgulho, sexo, passivo.
Estava de passagem e gostava de companhia. Alisou os cabelos que emolduravam suas definições magnificas. Propôs que continuássemos a prosa.
Entenda. O sistema financeiro mundial é uma religião. Ele funciona através da vacuidade que tudo preenche, que tudo valoriza e quantifica, qualifica. Ele funciona através do preenchimento que a tudo esvazia, que a tudo valoriza e quantifica, qualifica. Entenda, todo sistema filosófico é uma religião. Todo sistema que sistematiza é uma religião. Assim é a ciência, assim é a matemática, a subjetividade e a objetividade, a moral. Assim é o mundo, o universo, assim são as tácitas fronteiras e seus habitantes. A discriminação é uma religião. O direcionamento e a resposta também são. Tudo que gira em torno, e ou, é centro ou referência, é uma religião. Mesmo a negação da crença ou mesmo a abstenção. Qualquer afirmação, seja ela resguardada pela mais nobre verdade cunhada na mais nobre intenção, sensação, individualidade ou significação. Caracteres, signos, nomenclaturas, verbalização, predicação, linguagem ou silêncio. A pergunta que deve ser feita é o que não se caracteriza como uma religião? A consideração da vacuidade é um passo, a consideração da vacuidade da vacuidade, onde a diferença não difere e a igualdade não iguala. O preenchimento dinâmico, em ausência e presença de compreensão, aquilo que não é, que está; e mesmo assim, quando pensado... somos todos religiosos... quando imaginado e realizado, quando desintegrado e transfigurado, quando em fluxo. E finalmente, quando ausente de si e de qualquer referência, representação, começo, meio ou fim, tempo e espaço, consciência e natureza. Quando inefável, talvez, e só talvez, não seja um suspiro de fé.
Sua índole me preocupa. O afeto ao outro, para além do eu, ou mesmo que seja a relação um percurso sempre fora de um outro e fora de um eu, esse correlato que não reage, uma ciência de equidade como luz e meio, é uma espécie de árvore. Parcial contraposta e plantada no agressivo da hipótese. Em anti-dogma de pressão de espirito. Sei que impele a liderança, um firmamento que ofende nobres e fantasmas da ótica. Mas a ordem e as normas de sua compensação imparcial, de sentimentos imparciais, são atos que vão avante no violento, no domínio das vontades e dos planos. A linha do medíocre. A ilusão que nutre na finalidade de um panorama de castigos, sem gênese, flui com a história da intimidação dos sentidos, ajustes que subjugam, obliteram, atrofiam o inútil que concilia o acontecer. Degeneração ao lado do progresso. O terror de uma memória em subsistência ao próximo. Não sente o medo, o perigo, a punição?
Veja bem, suas definições de sofrimento foram atualizadas? Sente o sangue como ácido pelas veias?
É uma pessoa que deixa a liberdade ser livre, que deixa a liberdade partir, amar, se divertir e viver. Que deixa a porta aberta para ela voltar, se aconchegar, conversar e amar, para que ela lhe ame, seja carinhosa, gentil, cuide e proteja, para que seja protegida. Se ela não mais voltar, quem cuidará, amará, conversará, será gentil e lhe protegerá? Sua liberdade é a sua corrente, sua corrente é o seu medo de perder a sua liberdade e o seu amor. Seu amor é a sua prisão. Mas como a sua liberdade é livre, seu amor é a despedida, seja ela um até logo ou para sempre.
Veja bem, suas definições de solidão foram atualizadas? Lembra-me a vida como vontade de poder. Dos impulsos e movimentos de afetos ativos, hierárquicos do direito da lei, um valor relativo em disputas no vital do vital. As guarnições de fronteira que propagam rendição; jamais, a morte é no campo de batalha, no vir a estar.
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