Perseverança do dia. Caso 14.

P.D. Caso 14.

 

A piquira era normal. Possuía a doença da sanidade, e em seus 18 anos de loucura, cuidava dos loucos, pois eram sãos. Estava completamente despida e com nojo da compaixão. Castrador, anunciou. A dominação da atuação, um juiz. Enviado pela vontade divina na saudável e voraz dissimulação. Sorrateiro em sua geração habitual do calabouço.

Aqueles que acompanham as pinceladas podem achar as cores bonitinhas, interessantes, uma curva charmosa. Quando apreciarem o quadro como um todo vão achar as cores intensas, as sombras profundas e as formas contundentes. Mas só conseguiram apreciar a obra se fecharem os olhos, virarem as costas e forem embora.

Qual é a melhor palavra que lhe descreve?

Qualquer uma, eu sou todas as palavras do mundo. E nenhuma delas.

E as regras?

Regras, regras são para acadêmicos, não para filósofos.

E existem filósofos?

Enquanto existirem regras, não.

E o envelhecimento?

O biológico, sim. Conforme se envelhece se perde em explosão e se ganha em eficiência, principalmente o cérebro. Bem, pelo menos essa é a tendência, embora desponte para várias direções dependendo das tendências outras no ambiente. E com o tempo decai e colapsa, como uma estrela. Cada parte tem seu próprio tempo de maturação e apodrecimento. Mas tenho a impressão de que muitos escolhem apodrecer no pé. É uma pena.

E o entorpecimento?

Há, o sagaz que ameaça o instinto, do fato por si, relativo do si. No fundamento, imortal é o doutor, o adversário do médico, no cansaço do chumbo.

Há cura?

O culto a identidade é o culto a diferença, uma diferença que se apregoa sobre o apego de si, sobre o apego de si sobre o outro, a qual gera preconceito, e mesmo que seja rancor de intelecto revestido por argumentos, é exclusão, incompreensão, desprezo. A identidade se molda e se sustenta através da moral da escolha, que é cega para a escolha alheia, para a apreensão do diverso semelhante em choque consigo mesmo sobre a outra margem, afogados no mesmo rio. Que busca iguais para afogar atritos, mas afunda na lama da não convivência. Uma coexistência guerrilheira cuja munição é a dor e o rancor, que desvia os olhos das soluções em direção a força. A força da moralidade e do intelecto adequado é exclusiva e não inclusiva. Uma dissuasão de lados da mesma moeda. Existe harmonia na consideração e na disposição que sobreponham as ambições de vitória, que aceitem a derrota para através dela construir a derrota, e não destruir a derrota para alcançar a frágil estabilidade de um dominante sempre acuado pela própria lei que protege. Escravos libertos que escravizam a si mesmos e aos outros. Outros que preferem escravizar a si mesmos estejam libertos ou não. Livrem-se das correntes e olhem nos olhos uns dos outros. Malditos irmãos. Anestesiados de sua infecção, uma hibernação da necrose.

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