Resiliência do dia. ο.

Resiliência do dia. ο.
 
O desintegrar da falsa segurança varrida pelo acaso.
O piscar dos olhos que podem jamais se abrir.
Piscar é o tempo do florescer,
Seguido pelo desvanecer.
Os cílios fecham a verdade que se dissolve,
Onde o cego enxerga aquilo que não permaneceu.
Alucinado pela tragédia da insignificância,
Pela morte inocente de culpa,
Fecha os olhos para a arrogância,
Ignora a impotência arcana.
Um piscar de olhos que lagrimejam e se recusam a chorar.
 
Afasta a teoria que não investiga, fundamento da diferença,
O real na separação das partes, a imagem mais nítida,
É a inconsistência da multiplicidade.
Afasta a ocorrência que não propaga, gênesis da igualdade,
A ilusão no comprometer do todo, o véu mais escuro,
É o âmago efêmero da identidade.
 
Seja forte seja fraco, vencedor ou perdedor,
O grande é pequeno na parte,
O pequeno é grande no todo,
O todo e a parte não são por forma nem significado.
O pequeno e o grande não são por forma nem significado.
O homem não é o terceiro que soma um igual,
Nem o terceiro que subtrai um diferente.
Múltiplos semelhantes participam na eficácia do devir,
A unidade que confere plenitude ao completo.
Imutável e real, universal e transitório.
A essência da substância é a sua ausência de substância.
A substância de sua essência é a sua ausência de essência.
Subordinações claras e sistemáticas são tão pertinentes quanto forem equivalentes.
Insubordinadas.
 
Aos olhos que abrem e fecham,
Mas apenas enxergam fechados,
Compete investigar o infinito sem sair do lugar.

 

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