António Adelino Gonçalves "Vermelho"

15.00€ IVA incluído

Livro.
2014.
Poesia fã clube.

Preço: 14.15€
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O Vermelho é o meu primeiro livro de poemas. A maior parte dos poemas foram escritos quando estava na faculdade. O Vermelho é um diário escrito em versos onde imortalizo momentos felizes, tristes, eufóricos e angustiantes. Um caleidoscópio emocional de onde os pensamentos brotam que nem lava e solidificam-se em letras.

 

Reflexão crítica de Naidea Nunes, docente da Universidade da Madeira

Vermelho
A pele, os lábios, o corpo é o mar e o rio à procura da foz, no olhar, na voz, “ao sabor da melodia”. Assim abre o livro de poemas. Palavras consubstanciadas em paixão ou paixão em palavras, onde ardor rima com dor, quando corpo e alma se encontram, “desgastando-se num corpo sem luz”. Sofrimento e lágrima no “vazio da doce ilusão” de uma paixão, “ceifando a alegria”. Ilusão opõe-se a verdade, paixão a amor, que se funde com a terra:sentimentos e emoções, a desilusão e o desamor, a morte, em que o amador se torna ele próprio a ilusão da amada na escuridão. O fim do caminho… a mentira, névoa e ardor no coração – a dor do poeta amador –, doce e acutilante. Coração que sofre por amar: dor e calor, mas também cegueira e devaneio, no sofrimento solitário da noite eterna. O pensamento é pesar sem repouso no frio espaço. Ventos tortuosos acentuam o sofrimento do náufrago, no mar imenso. Procura a alma nas planícies dos amores e desamores, “a doentia alucinação que é sonhar acordado”. O “espírito que se aconchega em frio leito”, no silêncio da “mentira dos acorrentados” e “indesejados”. Na solidão, “lágrimas de sangue” que esperam “renascer num dia de primavera” o desejo. Mais uma vez, a “primavera na tua pele”, a paixão e o amor. A dor e a cor nos “espasmos dourados” de prazer e “relâmpagos de dor”. Chega o pôr do sol, “cascata de ouro”: os sentimentos do poeta apaixonado em sintonia com a natureza – “tapete estelar” no “vácuo cósmico” –, consciente do sentimento do todo, do uno, buscador do sentimento de unidade. No “suave suspiro” surge a “amada frágil”, toda ela coração, pele, olhos, boca, desejo. Em “a seiva fulminante”, a lava incandescente da ilha vulcânica é evocada na sua fusão com o mar, enquanto terra/corpo. A fragrância/perfume da paixão novamente à flor da pele, além da mente, a transcendência. E, mais uma vez, “o azul astral”, onde “jaz um raio de sol”. No “azul do Atlântico”, as ondas do oceano azul são “lago celestial” na pele da amada. No interior do seu corpo, o coração, os medos e a existência toda são o “universo terrestre”. Depois da libertação do coração, da paixão, ficam os olhares que (ainda)se encontram. Ainda existe a chama no olhar, na carícia, no corpo, boca e sorriso. A fusão dos corpos no abraço e no beijo. Após a primavera, chega o verão e a névoa cinzenta torna-se azulada, acariciando a terra. Com o fim do verão, o calor desaparece e o sentimento identifica-se com a lua, o crepúsculo e o luar. Ilusões e factos manifestam-se na luminosidade e na “fertilidade primaveril” da beleza da mãe natureza. A “negra terra” é profundeza e descanso, no “abismo da morte”. O amador busca o sossego no cansaço, entregando-se à terra. A morte, o sangue e a dor, a sombra e a mentira na verdade, surgem como oposição entre a noite e o dia. O sorriso da amada, na sua “fragilidade generosa”, a “simplicidade do seu cabelo, olhos e lábios” iluminam “o céu do poeta”, para além do tempo e do espaço, na intemporalidade e eternidade do momento presente. Na transposição do tempo e do espaço, a vida é “amar um momento no mundo do ser”, novamente a união do sentimento do poeta com a natureza, a sensibilidade poética do amador, numa ode ao prazer, depois do início, no “lamento do entardecer”