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Entrevista do mês de Junho de 2014: Débora Corn

Quem é a Débora Corn?

No meu blog escrevi certa vez que sou de um jeito estranho: quando eu era criança eu gostava de ouvir Raul Seixas enquanto todos meus colegas ouviam Xuxa. E acho que é isso mesmo, sou estranha, sonho demais em dias de crise; amo as coisas que faço e não tenho medo de mudar, acredito que necessitamos da modificação para avançar. Que graça teria esta vida se fossemos sempre os mesmos? Acho que sou uma artista (escritora, cantora e atriz) sonhadora com fome de amor na esperança de escrever o mundo.

 

O que sentiu ao ver o seu livro publicado?

É uma satisfação que levo no meu peito irradiado de sol. Quando vi todos os livros em papel (palpáveis) em cima da mesa significou um momento de alegria maior. Ele representa ser escritora, um aval de dizer: Sou poeta. Sou escritora pra quem quiser saber.

 

Esteve recentemente em Portugal, onde se deslocou para apresentar a sua obra, descreva-nos as experiências, as sensações...

Estive no Porto para o lançamento de meu livro e performance com poemas do mesmo. A cidade é um lugar de extrema magia é um caso a parte de encantos na minha memória: Tardes na Ribeira, um encontro no fado, uma caminhada na praia, um passeio pelas pontes...

No primeiro dia no Porto conheci meus editores Adriana e Ricardo com quem me conectei em conversas sinceras e muito agradáveis; encontrei neles novos amigos.  

Senti-me muito bem na cidade, localizei uma liberdade que em outras cidades portuguesas não achei. Nos dias de convivência pude perceber um pouco do português do Porto: melancólicos na sua beleza, um desassossego descrito pelo mestre Pessoa. Um afirmar de ser triste dito a sorrir. Sobretudo depois que te conhecem eles são muito amáveis.

O lançamento e a performance poética se realizaram no Olimpo, foi só felicidade na rua da Alegria. Lá o sonhador Luís faz acontecer noites calorosas de poesia. E tive o prazer de apresentar minha performance num dia desses.

Notei um público acostumado a ler poesia, que te observa atentamente. Desde o primeiro poema da performance Revolução (que no livro fica na parte dos poemas tristes); eles embarcaram comigo. No poema Vou pra um lugar sem dono no verso: Atravessar o atlântico; vi uns olhinhos a brilhar como quem pergunta: E agora? E foi no poema irônico Não vem pra Recife seu patife que ouvi risadas aqui e ali e assim se sentiram a vontade até para balançar nas melodias de samba e bossa-nova que levei para cantar três poemas. Após, senti o carinho, o aconchego de abraços e palavras muito positivas. Sinto-me muito grata pelo momento.

As dedicatórias nos livros são uma emoção a parte, ali sim o livro se torna obra, se encontra com sua cara metade, o leitor. Dizia em silêncio para cada livro: Vai querido, vai ser lido, vai encontrar os olhos de alguém!

 

O que é para si a poesia e qual sua importância em sua vida?

Pergunta profunda! Mesmo. A imagem que me vem quando penso em poesia são flores bem coloridas e a imensidão do mar. A ler os grandes poetas encontro resposta para tudo.

Desde a adolescência escrever constituía em criar meu mundo, nele tudo era possível o inimaginável acontecia. Naquela época eu nem sabia o que estava a fazer, mas sentia a necessidade de registrar; eu nem lembrava mais disso e achei por acaso um caderninho que eu anotava pensamentos, momentos quando eu devia ter uns quinze anos e lá já existia uma ânsia, uma revolta, um humor, amor em demasia, uma ironia, um furacão de quem sabe belezas que percebo na minha poesia hoje.

A importância da poesia não dá para descrever porque só minha alma sabe.

É um pouco como olhar o pôr-do-sol da minha janela e notar as cores, a melodia que tudo tem e depois com trabalho modificar o sentir em versos.

 

Dê-nos uma sugestão para o poesia fã clube...

"Entendo que a poesia é negócio de grande responsabilidade, e não considero rotular-se de poeta quem apenas verseje por dor-de-cotovelo, falta dinheiro ou momentânea tomada de contato com as forças líricas do mundo, sem se entregar aos trabalhos cotidianos e secretos da técnica, da leitura, da contemplação e mesmo da ação. Até os poetas se armam, e um poeta desarmado é, mesmo um ser à mercê de inspirações fáceis, dóceis às modas e compromissos”.

Carlos Drummond de Andrade

Vocês entendem isso mais do que ninguém, minha sugestão? Nunca parem com esses sonhos de poesia e muito trabalho.

 

 Obras marcantes: Livro de Sonetos, Vinicius de Moraes; O Guardador de Rebanhos, Alberto Caeiro; Livro do Desassossego, Bernardo Soares; Alguma poesia, Carlos Drummond de Andrade; Grande Sertão: Veredas, João Guimarães Rosa; Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis; Medéia, Eurípides; Rei Lear, William Shakespeare; Maiakovski - Vida e poesia, Vladimir Maiakovski; Comendo bolacha Maria no dia de São Nunca, Manoel Carlos Karam.

Fonte de Inspiração: As pessoas, a natureza, as boas canções, os grandes poetas.

Filme Preferido: Le fabuleux destin d'Amélie Poulain

Canção Preferida: São tantas só brasileiras são incontáveis. Escolherei uma que ouvi hoje e que amo do tesouro do Brasil, que assim foi chamado recentemente por um jornal europeu: Caetano Veloso. Que é sem dúvida uma fonte de inspiração. Chama-se: Quando o galo cantou.

Jantar Perfeito: É aquele com boa bebida, boa comida e bons amigos.