Por que?
Autor: Oscar de Jesus Klemz on Saturday, 7 February 2026
Se não posso contemplar teu riso
Se não posso contemplar teu risotudo o que eu observo é um alento para mim porque respira a vida e o destino, a saudade e a morte; porque sanciona o folguedo espiritual que eu busco quando redijo poesia; porque reforma a tradição com centelhas que iluminam o meu futuro.
há rebuliços que se intensificam quando a vida é mais ativa; quando desejamos sobressair em paródias sem controlo; quando expiram os valores que sacodem as nossas fantasias para nos prevenirem sobre os perigos que corremos.
o deserto emocional que suportamos é atravessado por aqueles que fomentam as divergências; é protegido por um sistema que menospreza as guerrilhas sentimentais; os dizeres agrestes que nos moem a sensibilidade.
dissipo a bruma que interfere no meu ocaso para voltar aos sonhos de menino com o meu bornal remoçado e as minhas palavras caprichosas; com os meus suspiros amorosos e as minhas cantigas de embalar; com as minhas ásperas contusões.
insisto numa poesia ordenada e vivaz que contenha os temperos duma arguta decisão: recolher as intrigas dos outros para depois expeli-las com o timbre dos meus pensamentos; agregar a mim uma postura que oblitere os veios da falsidade dominante.
inscrevo na alma as controvérsias em que participei para modelar o meu futuro; para que os meus lapsos gritantes não voltem a acontecer; para que as ondas nocivas da vida não me voltem a atingir; para que a minha fascinante liberdade construa o seu abrigo.
todos os caminhos vão dar à poesia quando acelero a minha grande motivação; quando expando uma criatividade fúlgida que ilustra as minhas pretensões; quando coloco os meus proventos ao serviço duma harmonia interior.