Belial em San Francisco Poema 1

Belial em San Francisco
Poema 1

Nas costas do fogo
Um corpo de grandeza fidedigna
A individualismo nato,
A natureza ,
A instinto,
Corpo
Sobe até ao pescoço do fogo
E morde-o!

Nos braços da água,
Um corpo de grandeza fidedigna
A individualismo nato,
A natureza,
A instinto,
Corpo sobe até aos lábios da água
E morde-os!

A fibra é o sacarino veneno da inaptidão
A fibra é a adrenalina da carne que procura a vitória!

No peito do ar
Um corpo de grandeza fidedigna
A individualismo nato,
A natureza,
A instinto,
Corpo sobe até aos olhos do ar
E morde-os!

Nas mãos da terra,
Um corpo de grandeza fidedigna
A individualismo nato,
A natureza,
A instinto,
Corpo sobe até às unhas da terra
E lima-as!

O intelecto é a razão das descobertas
O intelecto é o martelo que explode o vento parado dos tabus!

Belial e LaVey encontraram-se na Black House,
Perguntou o primeiro
Ao segundo,
Sobre uma frase que lhe transmitisse,
Areias poderosas de carácter,
A perspectiva acerca do perfeito,
Da fórmula de perfeição,
Não há perfeição,
A única e ideal visão
É feita no único e ideal caminho
O da liberdade, A.

Belial apoderou-se de um copo de absinto
Verde toque em esverdeado aroma
Levou-o aos lábios de guerra e de liberdade,
Escudos almofadados de terrões de terra,
Os lábios do superior estrondo da honra cósmica.

Absinto,
Líquido escorregar de urgência,
Fragância estrídula
O verde numa passagem escarlate,
A representação de indulgência.

Mãos são as foices dos campos de ferrugem
Não dormem, dormitam, meditam,
Mãos que não se sujam
Mãos que não se magoam
As mãos que se devem decepar
No ar
De todo o ar de mérito.

O interior da casa espaço de recreio
Dos malditos que se erguem perante os sagrados
Os malditos são os melhores,
Os ditos pelos ditos,
Não se acham hesitados.

LaVey responde
Poeta declamador de filosofia de vitória
O que a alma lhe sangra
O que consagra:
“Então todos os meus ossos dirão orgulhosamente:
‘Quem é que é como eu?
Não fui eu demasiado forte
Para os meus adversários?
Não me LIBERTEI eu
Pelo meu próprio cérebro e corpo?’”

Não há perfeito, que não se olhe à perfeição,
Perfeito e imperfeito não existem,
Convenções de pó e murros intelectuais,
O caminho é libertador e livre como a paixão,
Eutanismo, Satanismo, filhos da mãe: a verdadeira liberdade, A.

O molde do corpo que busca o que deseja
É único e inigualável, sincero,
De nada interessa nomear ou apelidar
Uma luz que se quer nas mãos
É para agarrar,
Não é para rotular,
Não é para maquilhar.

LaVey vocifera,
Belial espera,
Olha, encoraja,
As paredes aplaudem
O que se faz é sempre o que se desejou
Sabendo ou não sabendo
A alegria de fazer o que os vivos fazem
E o que os mortos fizeram
É necessário escutar
Nascendo, respirando,
Lutando, perdendo, vencendo,
Somente o acreditar no ego
Acontece assim a diferenciação
Entre os aptos e os estúpidos
Já a fórmula devorante é a alegria
A alegria que devora os obsoletos
As algemas da mente,
É LaVey a espumar esta energia
O ser apertado nos tesouros mais capitais do coração
Carne é a capital suprema:
“A chama eterna do poder
Habita a carne do Satanista
Através da alegria!”

Sons de piano correram pela sala
Em todo o lugar há pianos
Em todo o lugar há salas
Particularidades
A casa negra de LaVey é lar de grandiosidade e beleza
Propriedades
É a casa negra e não é mais: perfeita jamais
Limitar-se-ia a casa negra a um ideal de graça que não é de ninguém
Senão invenção para controlo e ânsia de alguém.

Paredes altas e imponentes
Na casa em que LaVey brinda com Belial
Um licor de cor primordial
Vozes da Natureza,
Cor da cor da dor
À batalha
Goles intensos de Vontade, A.

Ver as partes brancas, As,
Da alienação.
Ser!
Ser perfeito,
Ser perfeição?
Não!

Ser!
Ser, ser isto,
Ser aquilo,
Ser aqueloutro.
Ser do mínimo,
Ser do superior,
Ser do infinito,
O alto, o baixo…
Ser tudo
O amoral
Ser!

Compreender o interior dos relógios
E o exterior
É ser os ponteiros que não param,
Não são perfeitos,
Compreendem-se como ponteiros.

Compreender as peças do xadrez
O branco
O preto
Do tabuleiro
É ser as peças que não param,
Não são perfeitas,
Compreendem-se como peças.

Não sejas perfeito,
Belial não pensa nas luzes que se dizem,
Nas luzes que se assobiam,
Nas luzes que se cantam,
Como sendo as que tens que seduzir…

O que queres, Belial,
É limar as unhas,
As unhas das mãos
Da terra
Da vitória!
Limar o teu, limar o Eu, limar o meu
Limar,
Limar,
Ora bem,
Ora mal,
Limar.
O erro é bem-vindo!
Aprender é viver,
Aprender é gritar
Na interior da boca da vida
A vida sem dono!
A Vida.

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Mosath

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