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O Poeta e o Filósofo

Um filósofo contraditório senta à mesa
Vem um poeta de terno e pede um vinho
Ambos não se conhecem, mas são similares
Um vive de paroxismos por atentar à aporia
O outro gargareja as ideias e cospe no público
Um gosta de varrer as grandes questões para si
O outro, tenta assoprá-la para fora e para dentro

Sabe o que ambos têm em comum? São gêmeos
Mas preferem abafar o caso, nada de alforrias
O filósofo sabe da verdade (ou meia verdade)
O poeta goza dela, mas se angustia por isso
Em um tom irônico ele filosofa olhando o vinho
Do poeta, e contraditoriamente o filósofo diz:

‘’As verdades são ilusões, das quais se esqueceu que o são, metáforas que se tornaram gastas e sem força sensível, moedas que perderam sua efígie e agora só entram em consideração como metal, não mais como moedas”.

O poeta retruca:

‘’É tão certo quanto maravilhoso que a verdade e o erro venham de uma fonte. Portanto, muitas vezes não se pode ferir o erro, porque, ao mesmo tempo, se fere a verdade.’’

Jocosamente essa noite promete grandes batalhas
Um com mais retórica que o outro, entretanto,
São transcorridos na beleza dialética
O conhecimento na melosidade de ensaios poéticos

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