Geral

Estrela cadente

Eu desejo a estrela cadente
algumas realizam sonhos
estrelas pequenas como
planetas cor vermelho amor
vidas sedentas de amores
as estrelas são filhas da mãe Lua
fazem festa no céu de astronauta
mas eu persisto na Terra
e da minha janela,
vista perfeita
a vida é uma espaçonave vibrante
sou uma alma que percorre ruas interessantes
sou luz terráquea, amante e desconhecida
mas musa, tua candura é muito especial
tua formosura é um quadro vivo

Pensar inflama a minha natureza

Ignore tudo o que eu disse anteriormente, sou uma massa corpórea de insolúveis contradições. Meus pensamentos são faíscas de fogos: nascem duma aleatória emoção. Se bagunçam nas miríades correntes de ar, e quando menos espero, uma torrente ígnea incendeia meu corpo. Torno-me um bosque soturno, friento como eu, mas desmatado. A piromania filosófica se absorta pelos meus olhos saltados. E dito isso, a chuva esmaece violando minha introspecção.

Seppuku metafórico

Guerreiro da luz preparado
para morrer,
espadachim no teu gládio
no fúlgido ser.
Uma grotesca lâmina
corta pescoços,
é melhor que não chores
com os olhos foscos.
O mundo nega os torpes,
a desonra é inútil,
da luz escureceis a ti
ser dúbio.
Sem tristeza perfurai
o ventre de si,
fite o destino que te cai,
oh! Samurai fraco.

 

Conversas com Maria (VIII)

Comunicação

É fácil conversar e namorar,
o mais difícil é comunicar.

A comunicação quer abertura,
ou confiança mútua que perdura.

Abrir a alma e revelar o sentir,
no propósito comum de existir.

Mostrar fraqueza e força sem temer,
dar um grande segredo a conhecer.

Tudo partilhar com quem nos aceita,
uma alma gémea que a nossa respeita.

E ambas dialogando em comunhão,
sem falar se entendem na perfeição!

Sª Mª Feira, 29-05-2019

Coveiro

Coveiro solitário adentra à terra,
Ele cava os mistérios do mundo antigo,
Com a pá finalmente dá cabo a matéria,
O senhor dos velórios, servente cínico.

Da cova ao fogo infernal, um arcanjo infeliz,
Talvez da luz ao céu, um salvador dos espíritos:
O barqueiro Caronte dos corpos mais vis,
Navega nas marés dos rios dos mortos-vivos.

Conversas com Maria (VI)

Vida

Muito para além da mera existência,
a Vida é uma universal essência.

Nela existe um segredo a conhecer,
mas nem a ciência o sabe entender.

Há um mistério no ato de estar vivo,
e ser consciente, pensante e ativo.

Na Vida tens o teu melhor amigo,
um seguro e fiel porto de abrigo.

E quer nas horas boas quer nas más,
pela Vida amparada sempre estás.

Conversas com Maria (V)

Conversar

Quão agradável é a companhia
de um amigo que muito se aprecia.

Alguém com quem podemos conversar
e o nosso coração sabe escutar.

Com ele coisas novas aprendemos,
mais largos horizontes entrevemos.

Filosofamos sobre a existência,
demandando da vida a vera essência.

Quem somos e que fazemos no mundo,
há resposta ao mistério mais profundo?

Será que a vida acaba ou continua,
o espírito imortal se perpetua?

Conversas com Maria (IV)

Amizade

Gostar de alguém à nossa alma faz bem,
e por isso a amizade nos convém.

O melhor de ti próprio vês no amigo,
e o seu coração é um doce abrigo.

A maravilha reflete-se no olhar
da companhia com quem quero estar.

A amizade desperta o que há de bom
e a mútua alegria é o íntimo dom.

Corpo mais alma unidos num abraço,
o sol e a lua brilhando no espaço.

Ser amado e amar é se apaixonar,
no recíproco enlevo de gostar!

Sª Mª Feira, 10-10-2018

Conversas com Maria (III)

Sentir

Estudar e saber é importante
mas o sentir é que nos leva avante.

No equilíbrio da mente e da razão
há que saber combinar a emoção.

Não só pensamos pois também sentimos
mais do que imaginamos e intuímos.

Assim temos um cérebro pensante
e bate em nós um coração amante.

Com os amigos nos relacionamos
mas a família, pais e irmãos amamos.

Nos outros espelhamos o que somos
porque é nas relações que nos expomos.

Sª Mª Feira, 04-07-2018

Conversas com Maria (II)

Leitura

Ler é viajar num país imaginário
que o escritor inventa com engenho vário.

Somos companheiros de mil aventuras
com palavras transformadas em figuras.

Por vezes lemos o que já pensamos
quando da mesma ideia comungamos.

E se o mundo sentimos de igual modo
alguma semelhança há nele todo.

Não somos só nós a pensar assim
outra alma existe que nos é afim.

E no doce enlevo da imaginação
ó quão íntima partilha de emoção!

Sª Mª Feira, 03-07-2018

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