Pensamento

Em nome do Pai

O caminho da janela se deitou em minha vida

E as flores deste chão cicatrizaram as feridas

Diz a hóstia, diz o dízimo, diz a virgem imaculada

Que se deita em sua cama, que te ama e não diz nada

 

As crianças quando dormem sentem medo do escuro

Como pesa a consciência noutros jogos do absurdo

Falam na obediência de um deus desconhecido

Que se conta nos salvar colocando-nos em perigo

Meus Queridos Sonhos

Sonhos que sonhei
E amei.
Sonhos que ficaram presos
Nas entranhadas do passado.
E sonhos
Que se dispersaram pelas ânsias do futuro.
Sonhos, meus queridos sonhos,
Sonhos destruídos pela crueldade da vida,
Sonhos apagados da memória,
Sonhos que já não o são,
Sonhos que já esqueci,
Sonhos que já perdi,
Sonhos, meus queridos sonhos,
Poucos foram os concretizados!

Espaço

O Espaço
Pode-se dizer que o espaço
É um universal abraço
Ou um coração de mãe
Que tudo abriga e dispõe.
Cada ser tem seu lugar
Sempre um ponto onde ficar.
Os objetos finitos
São amostras de seu infinito.

Uns dizem que é ideal
Outros que o espaço é real
Que é o aqui, o ali e o distante.
Noção a priori diz Kant.
Ideia em seu intelecto
Do lugar em que os objetos
São dispostos no sensível
Mundo, que a nós é visível.

CORPO

Perco-me nas estradas do teu corpo
* E tu nas curvas e nas descidas do meu
Nas sensações que nos temos
* E que sentimos como ninguém
Nas longas noites, nos longos dias
* No desejo dos nossos corpos nus
Somos nada mais que dois seres (...)
* Num só corpo.
Afinal o meu rosário é de penas
- Leve como a minha alma (...)
E o meu fardo é suave na mão de Deus.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

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