Soneto

Amores Perfeitos...

Amores Perfeitos...

Sarámos num mundo tão despido,
onde em tempos demos mãos comprometidas,
construímos o nosso túmulo às escondidas,
em festim de metáforas sem sentido.

Das sombras ecoavam palavras perdidas,
eufemismos de enfermo, não de amigo,
há espinhos onde outrora foi postigo,
e há cadáveres, chagas... despedidas.

Nesse mundo há alicerces de vime,
presos por uma corda sublime
feita dos teus cabelos e jeitos!

À VOLTA DA FOGUEIRA

Os pés molhados pedem lume forte.
Na fogueira nostálgica, memórias
Despertam para a vida, com vitórias,
Com derrotas e sempre alguma sorte.

Quando inverna e aperta o vento norte,
A chuva e o frio, abrem as oratórias...
À volta do "borralho", ouvem-se histórias
Que a palavra é feliz como consorte.

O lume é tantas vezes ternurento...
Dócil como mulher apaixonada,
Que não deixa que o seu fogo arrefeça.

À fogueira ninguém solta um lamento,
Mesmo quando vem “velha” desvairada
Pousando docemente na cabeça.

SHABA

SHABA

Recordo, quando te encontrei, abandonado, sujo, doente
Perdido no gesto de ser amado, mas de quem quer amar
Teus olhos eram uma súplica num pedido permanente
Quer ser teu amigo, leva-me contigo, não me deixes ficar.

Não sei se foi magia, se pura empatia ou a beleza do teu olhar
Chamei-te e tu cão inteligente, vieste num gesto de medo e desejo
Humilde, de cauda baixa, num movimento confuso de rastejar
Deixaste-me afagar a cabeça, devolvendo-me a carícia de um beijo.

ALUCINAÇÃO

ALUCINAÇÃO

Estou só, inconsolável, neste desejo ardente de devoção
Fechado, silenciado num tempo que passa sem ter hora
Numa transe de conflito, entre a verdade e a alucinação
Sinto no peito o ardor que ateia um fogo que me devora.

Lentamente vai ardendo, num desejo louco de me consumir
Minhas mãos são chaga viva que se esforçam por se mover
Afugentando esta alucinação, onde o presente não consegue fugir
De um passado enlouquecido, que a memória teima em trazer.

AGUARELA DA ALMA

AGUARELA DA ALMA

Nesse quadro em que o verde da tinta tem menos cor
E o tempo se entrelaça no misticismo do anoitecer
Colocaste um rio de águas proféticas onde se afoga a dor
E as mágoas se espraiam nas cores rugosas do envelhecer.

Nesse quadro em que as margens do rio estão cobertas por açucenas
E o sol do entardecer vai morrendo em clarões de aurora
Colocastes auréolas e asas prematuras nos meus poemas
De tinta húmida e incolor colhida na face de alguém que chora.

LAGOS

Dedicado á minha bela cidade. Lagos - Algarve

LAGOS

Zavaia, Lacóbrica, Lagos, terra de lendas e de mar
De vizires, príncipes, boémios, poetas, vagabundos
Onde o litoral palpitante manda o Atlântico beijar
Num beijo com história da demanda de novos mundos.

Fortes, muralhas, igrejas, descobertas, Eanes, Infante
Pedaços de história cantados num poema que me conforta
Feitos por filhos de hoje e de outro tempo mais distante
Forjados na raça e orgulho de um passado que nos importa.

PORTO SEGURO

No silêncio do tempo, esperei...

Não conseguia ver, nada mais!

Que o brilho, perdido na alma.

 

Não vi nada mais, brilhar...

Somente teus olhos...

perdido na estrada.

 

E tuas mãos...estendidas pra mim.

Meu coração, aquietou-se ao seu lado.

teu abraço, envolveu-me...e ali!

Senti eu, por você ser amada.

 

Acabaram-se minhas tristezas!

Minhas lágrimas...secaram também!

Não importa se amanhã, eu sofrer...

Se ao teu lado, estiver a viver.

Pages