Dente de Leão
Autor: Paulo Sousa on Saturday, 22 August 2015
Um rugido sai de um dente de leão
O teu pai é careca? O meu é que não
Enraizada a noite sem confusão
De dia casca de pinho no chão
Reflexo de luz com imperfeição
Vê-se poesia até no lixo do chão
Até se encontra um bocado de pão
Migalhas inúteis ou um garrafão
A perfeição arrasta o rim
Em patas que pousam em mim
Um voo que acaba por fim
No sítio de onde eu vim
Arrasto a ressaca da minha terra
Que treme quando ela espirra
Afastam-se os pássaros, formigas em guerra
Chegam as lesmas e trepam a mirra
Em raízes de alta expectativa
Em ramo de uma fasquia alta
Entrelaça uma flor introspectiva
Nem os piolhos ficam em falta
Minhas pétalas são notas de música
Ninguém bem me quer
Ninguém mal me quer
Meus frutos são melodia acústica
São chuva de estufa deitada no chão
Aglomerada como o lodo zangão
Num solo quente onde cai a semente
De onde sai o inútil contente
As minhas verduras são poesia
Num tronco fechado em maresia
Folgo de ar em ambiente arenoso
Em bico de um melro ventoso
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