Surrealista

Escala a naberius

O silêncio predominou novamente
O riso esmaece em seu semblante
A vontade não permaneceu
 
Tomado, estava, a vontade inferior
Sabedoria inferior
Vidas inferiores
 
Caminhou o trecho,
planejado e corajoso
Corajoso e tomado
 
Caminhou, não em vão
Aos gritos, sussurros
Liberdade e prosperidade
 

Largo dali

Passou mais um dia onde até de tempo são feitas as lendas
A mais um padeiro que de manhã faz notáveis merendas
Mais um dia ao lado do nada que fica no largo dali.
 
Nesse nada de largo com casas sem tormentas
O cuco falso do relógio dá na parede umas horas lentas
A mais um relojoeiro que perdeu um parafuso pois vive no largo dali.
 
Passou mais um dia ao lado do nada que fica no largo dali
Já sem espera, sem gosto e desgosto, sem queixume ou ardume

Shekhinah em Malkuth

O bom seria se tivéssemos o Bem,
uma busca árdua e delirante.
O bom seria se reconhecêssemos o Bem,
não o menos mal
 
Bem está contido aos que navegam
 pelo oceano primordial
O Bem aqui não está, 
nem no Halacá
 
É o fim, não o meio
É a busca, talvez a arca da aliança
 
Não seja intolerante, 
já que nem você, talmúdico, 
sabes o Bem
 
Não seja inoperante, 

Cântico a Parabrahman

Ó fractal divino,
nove emanado nas duas dimensões primas
Manvantara de manifestação,
pralaya, da não-manifestação
 
Mulaprakriti dos fenômenos,
Vórtice físico, psíquico ou mental
Fohat e akasha de toda a existência,
Éter dos antigos, quintessência,
Quinta ponta do pentagrama
 
Dai-me humildade,
dai-me sapiência
Recupera-me as memórias esquecidas
no grande oceano primordial
 

Conhece-te a ti mesmo

No ato de querer intensificarás, 
conscientemente, a sua vontade, 
Teu desejo!
 
No ato de querer, aflorarás
a ciência natural desconhecida,
Teu desejo!
 
Conhece-te a ti mesmo,  manusya!
Tudo tem a ver com tudo...
Qual a tua verdadeira vontade, neófito?
 
O que governa todo o sistema?
 

Hoshana

Ó Senhor, tendo criado todas as coisas,
submetidas a Ti, desejou à perfeição 
O divino e terreno-mundano, 
com corpo grosseiro e terreno,
mas alma espiritual e celestial
 
Estivesse em busca da perfeição
Desejou-o durante toda a criação,
a expiração e inspiração do Todo-nada,
de dentro de Ti manifestou o sopro primordial
 
Submeteu, então, toda a terra e seus habitantes, 
e forneceu meios para que anjos 

Sempre-nunca

No despertar da lótus,
teu reflexo no espelho,
sublinhando ancestrais demandas,
e passivos comunitários semblantes
 
Ação e reação, carma
frutificando intenções,
más, boas e neutras
 
Shiva, libertarás
Darei-lhe vontade própria
Flutuará, então, de volta para casa
 
Talvez, sempre-nunca
nunca, talvez, sempre
E nestes cânticos, emerso
 
Futuro-passado,

Inefável

Inefável, a verdade é que queria estar nu
Inefável, poder supremo megalomaníaco
Inefável, regozijo-me nas veredas da vergonha alheia
Inefável, joelhos que não aguentam tantas súplicas...
 
 
Inefável, poderia, quem sabe, estar no mar?
Inefável, som inquebrantável dos desejos!
Inefável, tire-me da ignorância do tudo-sei
Inefável, nas grutas profundas do centro do mundo
 
Inefável, inefável, inefável!
 
 

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