pai

Escuta meu pai este segredo,
que hoje eu te vou contar,
quando vou p'rá cama à noite
e em ti me ponho a pensar.
 
Passaram anos desde o dia,
que me viste pela primeira vez,
desde então tens-me ensinado,
a ser aquilo que tu és.
 
Tenho aprendido o que posso,
nem tudo aprendi, paciência,
mas espero em mim ter retido,
o que me ensinas-te com veemência.
 
Tenho hoje uma linda filha,

Fictícia Liberdade

Estou preso.

Sei que em liberdade

Mas uma tão triste

Que, vinda p'ra ficar persiste

Em me camuflar a verdade.

Que seja então ignorante

Esta não longa passagem,

Seja somente relevante

De todas, a minha melhor miragem.

Porque não sei o que sou

Nem prevejo quem quererei

Persigo o passado que passou

De vida real que abdiquei.

E é isto, do tudo, o que sei

Acerca deste fracasso

Que outrora foi rei.

E no dia em que menos viva

O assombro desta passagem

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