Teu Jardim

Através dos cortinados da imaginação
Contemplo o teu jardim em floração
Cravos, rosas, amores-perfeitos...
Magníficos canteiros em meus peitos!

Jardim belo, de cortar a respiração
E amarrar meu pobre coração
Nos arbustos escondidos tácitos
Sinfonia de gemidos de coitos!

Nas sombras dos recantos infinitos
Nos tapetes aveludados bonitos
Amantes entrelaçados, nus, ofegantes...

Oh! Jardim bafejado de romances inauditos
E de deleites sublimes benditos
Perfumado de beijos inebriantes!

QUEM SABE...De mim...

                   QUEM SABE... De mim...

 

Naquela tarde quente, que incendeia,

Fui refrescar-me à borda da ribeira.

Absorta, tacteei a fina areia...

Divaguei...recostada à oliveira.

 

Aquilo do que eu gosto, não é ouro.

Nem quero o arco-iris alcançar !

Nem quero possuir alcácer mouro

Ou jardim de repuxos d'agua a jorrar !

 

Só quero ver estrelas. Não tocá-las !

Ver e sentir o voo do pardal.

Ver florir as < três  rosas> e beijá-las,

Molhar os pés no orvalho matinal.

 

Desilusão

Com o tique-taque do relógio
Subi da tua ternura os degraus
E nas tuas estrelas encontrei refúgio
Em momentos maus...

Eras Sol e eu Lua? Não sei!
Quando a noite roubou o dia
Em teu corpo eu repousei
Como numa bela moradia!

Acordei ao raiar da aurora
Banhei-me no teu oceano
Vesti-me e fui embora...
Pensando: tudo foi um engano!

Ainda olhei para trás hesitante
Limpando as lágrimas da tristeza
Corri pela areia queimante
Do sonho, inspirada na tua beleza!

GRITO AO VENTO

          Grito ao vento

 

No cimo da montanha que escalei,

Olhei a vastidão ! Pus-me a gritar

Bem alto. E o vento forte a soprar,

Levou os sonhos ocos que criei.

 

Gritei as alegrias que guardei...

As risadas nascidas a chorar !

E os dias vazios por que passei

E as noites escuras, a cismar !

 

Só o eco da montanha respondeu !

Senti-me desprezada...abandonada.

Uma alma só... sem sombra...ignorada !

 

__ Mas que tonta !!! ( Minha alma escarneceu ! )

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