Descaminho
Autor: Oscar de Jesus Klemz on Friday, 13 February 2026Deram o verbo
a misoginia
a esperança disfarçada de poesia
a ironia
Deram o verbo
a misoginia
a esperança disfarçada de poesia
a ironia
consigo instruir os sentimentos através da poesia: é a minha razão que prevalece nos carreiros ásperos da existência; é a temperança que me sustenta nos lugares onde me reorganizo; é a visão global que me dá a lucidez de que careço.
analiso o mundo que me torneia por causa da natureza pérfida da humana condição; por causa do crescimento do meu estatuto de poeta na senda duma existência melhor; por causa das revelações ponderosas que sustento.
logro olvidar o desconsolo que me rebaixou nas ondas perfumadas da paixão; os desenvolvimentos torpes do meu caráter pelas ruas ácidas da vida; as enxurradas aziagas das minhas plangentes vicissitudes.
eu admoesto tudo aquilo que nos rodeia e que transforma o nosso dia-a-dia num calabouço; que nos instala em lares onde prevalece a desarmonia e a frustração; que nos arrasta para uma turbulenta realidade sonegada do nosso olhar imprevidente.
rejuvenesço-me nos lugares onde a virtude se implanta; onde a monotonia não me afeta porque eu a enleio na nomenclatura para nutrir a minha inspiração; para promover a minha aura de poeta.
Banco de horas
(Mauro Fera Da Poesia)
Banco Master é pros fracos
Mistério mesmo no mercado de trabalho
É o banco de horas
Que ninguém explica como evapora.
Deveria sim haver uma CPI,
Pois como pode sumir
As horas de quem tanto trabalha
Porque na falta a cobrança não falha?
Banco Master é para os fracos
Porque no mercado de trabalho
O que ninguém jamais esclarece
Principalmente os descontos no salário
O porque tanta hora desaparece
Justo de quem mais a empresa favorece!
todos os caminhos vão desaguar na inteligência quando nós transpomos o logro dos sentidos; quando nós renovamos as ideias antiquadas que sombrearam a nossa condição; quando nós refletimos na vida que nos circunda.
As mil esposas do patrão
(Mauro Fera Da Poesia)
Verdade sobre o mundo corporativo
Que ninguém vai lhe revelar
Mesmo que não tenha depto. logístico
Sempre tem alguém que vai entregar.
Todo fim de mês revela
Quem se dedica, se entrega
Vai receber na mesma proporção
De quem no período levou na enrolação.
A pessoa que rege sua hora
É a mesma que nada sabe quando evapora,
Há um sistema oculto de informação
a façanha de engastar nos meus versos os tumultos humanos sem que eles influam em mim; sem que o intuito de os amortecer se converta num desejo impraticável; sem que a narração dos seus destemperos cause danos ao leitor.