Água bailarina que me contenta

Água bailarina que me contenta
O fervor de um desejo não concebido,
Onde teus passos sobre a lava
Revivem a minha cega retina.

Eleva-me a onde nenhuma alma
Jamais sonhou, mas outrora crava.
Uma, só uma e apenas uma
É a carnal tentação que me move...

O teu movimento, o teu toque
O teu sorriso e o teu esplendor,
Será real ou é só ilusão?
Ou solene sonho de conhaque?

Não, pois eu vi a tua diversão
Fogaz, evocadora de trovão,
E não cravo outra senão única
Mulher que me despertou.

Tempo

Se convier à torre importante
Iluminar o meu barco neste mar
E que luzes inebriantes
Possam disfarçar o pesar
Que se passou nesta viagem quase inteira
Tempo, tempo, tempo
Algum conforto mostrar
Visitei o passado, ressuscitei
Algumas dores
Imagens mudas
Já que a alegria não veio para ficar
Não tem desculpas !
Houve, sim, alegria
Como passageiro itinerante
Entre fitas de VHS entorpecidas
Que estavam no móvel de imbuia
Viajei pro braços de
Quem me pertencia
Oh, ternura!

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