Adeus

Ha de lembrar-me sempre a immensa magua
Que vi transparecer nos olhos teus
Ceruleos, languescentes, rasos de agua,
Quando, poisando os labios sobre os meus,
N'um demorado osculo celeste,
Tremente e carinhosa me disseste
        Esta palavra:--Adeus!--

Afastei-me de ti e já distante
Voltei-me para vêr-te inda uma vez
Com o presentimento lancinante
De que te não veria mais, talvez.
Tornei-me então da lividez d'um monge,
Quando vi alvejar nos dedos teus
Um lenço branco repelindo ao longe:
        Adeus, adeus, adeus...

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