Alvorada

Tudo está calmo hoje, tudo está em paz, não há nenhuma dor preocupante.

Eu amo-te, tu amas-me e as nossas almas estão entrelaçadas, juntas e perfeitas como uma só, encaixando como luvas na nossa mão.

Não há deuses com leis severas e rígidas, reinando do alto de tronos de ouro maciço, em salas hieráticas com altas colunas.

Antes há olhos castanhos, nas sombras que se iluminam quando a luz solar acende as esmeraldas verdes

e quando me olhas assim, nos olhos, todos os planetas se alinham, e ficamos só tu e eu.

Apenas duas pessoas, duas pessoas aleatórias.

E pela primeira vez vi-me na terceira pessoa.

Mas por uma vez, tudo está calmo.



Esta carta que te escrevo será um concerto digno de ti

... e podes sempre tanger o meu coração, se eu for incapaz de cantar, porque eu sou a fonte das minhas lágrimas.

As palavras rasgam.me o peito, brotando como água de sal, misturada nas tintas que se prestam ao cosmos da caneta...

Então, eu vou fazer por ti o que ainda não foi feito.



Como uma única gota de água não anuncia uma chuva torrencial,

esta folha não condensa mais que um simples traço do meu amor.



Ah, mas como é doce, adorável, gentil...

Incomparável, até mesmo para todas as visões cantadas pelos poetas.

Mas, por uma vez, tudo está calmo.



Escrevo dia após dia frases que devolvem vida aos meus olhos...

A meta para a minha busca sem fim neste céu interminável.



Voam para ti os acordes executados a partir da melodia do meu coração

sob a tonalidade infinitamente ininterrupta

que precede as horas de vigília.

A ti, dedico este nascer do sol.

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