Anaforica dos sonhos - Pessoanas II

 

Anaforica dos Sonhos
 
Acorde, meu anjo, foi apenas um sonho ruim...
 
Sonhos coloridos, confusos, doloridos, angustiados, frescos, a música do ar, o ar do tempo.
Será isto a vida?
 
Voz do Tempo, eu te chamo.
 
Viva os seus amores, e os seus amores encerre, 
em plenitude, pelos instantes.
Viva as vidas intermináveis da vida, e as perfaça também.
Exista tudo, para que tudo é existir. 
Tudo é espetáculo... de Olhar.
 
O que chama o grito.
Esta vontade de viver plenitude.
Não viver amores, mas amar um tempo inteiro, e seus lastros de infinito.
Afinal é amor à existência, com e para além de toda sabedoria.
Existencialismo? 
Não...quero mais.
Quero transbordar pelas essências. 
Uma mágica fabulosa: independente da Verdade sobre o Real,
atingir o Coração infindável do Tempo. 
 
O Agora: o mergulho... e o grito.
 
Amor / Infinitude.
 
Boa noite, Musica sem fim.
Boa noite, Rosto sem fim.
 
O tempo é a amante que não podemos nos livrar....
 
Todos os segredos do mundo são meus.
 
Universos entre letras,
amplidões entre respirações,
infinitos entre olhares.
 
Nós somos Os Novos Alquimistas!
 
Os grãos-mestres dos labirintos dos labirintos.
O controle dos incomensuráveis, da perspectiva dos finitos.
Prisões perfeitas.
Limiares insanos.
A liberdade tão improvável, porém, fonte do real.
 
É algum segredo dentro da voz...
 
          Eu sei porque você não vai dormir... (morrer este dia). E fica acordada até tarde, tentando pescar sonhos, olhares e felicidades impossíveis. Porque você atravessa os árduos dias e a exaustiva paixão de fogo no sangue. Perde o passo e esquece a música, míope de vida. Como você, sei que é um momento de uma ternura plena sem nome, estar um pouco só, respirar e se entregar a tocar com a ponta dos dedos, no escuro e em silêncio, ssshhh... , entre os instantes, os infinitos...
 
O segredo de onde brotam as cores, os sonhos... e a sua vida.
O Labirinto dos Instantes.
 
Olhar-Cores.
O dentro quando encontra a música: mágica.
A Musica se encarna em vida,
enquanto a vida se entrega em Música.
 
Mil trinados de flauta...
Caem os instantes da chuva,
deslizam as singelas lágrimas de uma vida,
na gota de sangue da ferida brotam todos os mundos.
 
Tudo, tudo, tudo...
Tão patético e triste, tão farsa, tão insano.
Tão sutil e tênue, encantador... fascinante... efêmero...
Tudo tão veloz... lindo... esplendor.
 
 
Encontros de instantes e odisseias,
encontros de flor vindo a ser, enfeixes de fluxos:
Flor, prossigamos a viagem.
 
Márcio Ide
          Campinas, março de 2012.
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