Angústia

De repente, vi-me imerso no submundo da memória

Perplexo, estupefato… irreal.

Percebi um labirinto de ideias

Que jurava ter posto em ordem há tempos…

 

Em meio a essa balbúrdia

- Pareceu-me um jogo de espelhos

Refletindo pedaços de mim

Distorcido, fragmentado, estraçalhado… -

Andei. Em torno de mim, Reparando

 

Procurando esclarecer o obscuro;

Momentos isolados; frases soltas

Sem contextos, sem nexo…

Fotos, cheiros, sons

Agudos, dissonantes…

 

Vi-me. Obrigado a duvidar

Do real; do exato composto de verdades

Que norteia minha vida.

- Uma restou. Só uma: Deus!

Esvazio-me de mim toda hipótese

Para encontrar a substância

Pura, simples, essencial…

Onde, onde está aquilo que sou?

O que me faz ser?

De tudo o que vi e vivi

Alguma coisa é válida?

Para seguir existindo

O que é preciso fazer?

Incrível! Inevitável…

Descubro mais perguntas que respostas.

 

Confronto o conforto

De manter alguma paz de espírito

Para reequilibrar

E não despencar no abismo do pânico!

 

E no terror da falta de sentido,

No medo de estar envolto numa névoa

De utopia; entorpecido

Por delírios, abstrações e anseios,

Paraliso por completo – quem dera pudesse o tempo…

Buscando, extático, um recomeço.

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