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Anoiteceu.--Nos claustros resoando

Anoiteceu.--Nos claustros resoando
As pisadas dos monges ouço: eis entram;
Eis se curvaram para o chão, beijando
O pavimento, a pedra. Oh sim, beijae-a!
Igual vos cubrirá a cinza um dia,
Talvez em breve--e a mim. Consolo ao morto
É a pedra do tumulo. Sê-lo-hia
Mais, se do justo só a herança fòra;
Mas tambem ao malvado é dada a campa.

E o criminoso dormirá quieto
Entre os bons sotterrado?--Oh não! Em quanto
No templo ondeiam silenciosas turbas,
Exultarão do abysmo os moradores,
Vendo o hypocrita vil, mais impio que elles,
Que escarnece do Eterno, e a si se engana;
Vendo o que julga que orações apagam
Vicios e crimes, e o motejo e o riso
Dado em resposta ás lagrymas do pobre;
Vendo os que nunca ao infeliz disseram
De consolo palavra ou de esperança.
Sim:--malvados tambem hão-de pisar-lhes
Os frios restos que separa a terra,
Um punhado de terra, a qual os ossos
Destes ha-de cubrir em tempo breve,
Como cubriu os seus; qual vai sumindo
No segredo da campa a humana raça.

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