A Bem do Povo...

A Bem do Povo...

 

Aldrabices, palavras tontas, panaceias,
São tão comuns nestes tempos reais,
Que cada vez gosto menos de humanos,
E me viro mais para os outros animais.

Que me desculpem os meus amigos,
Os que o sabem que do coração o são,
Mas anda p'rá aí tanto vendedor de banha,
Que faz sofrer tanto este pobre coração.

 

Dizem, desdizem, sugerem, contradizem,
Prometem quase sempre sem cumprir,
E para que tudo "não seja" como dizem,
Quase que até se esquecem de dormir.

 

Ávidos de fama e também muito proveito,
Usam tudo o que os possa evidenciar,
É a TV, as revistas e também os jornais,
E tudo mais, onde se possam mostrar.

 

Dizem que é sempre a bem do povo,
E que o milagre está prestes a chegar.
Mas o "dito" nunca sente que aconteça,
Vira os bolsos e nunca vê nada a entrar.

 

É a sina dum povo, bondoso e ordeiro,
Que não vê a melhor forma de ripostar,
Vê a sua vida a andar sempre pr'a trás,
E a de outros, estar sempre a melhorar.

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