Cada um tem os seus monstros

 

O escritor caído em desgraça corre

Sobre o papel como se fosse atleta,

Falha na intensão, a inspiração morre,

E nem é prosador nem é poeta…

 

É um homem que se arrasta e que rasteja

Para fora da mesa de trabalho,

Que para fugir faz seja o que seja

Até cair, vil, em chão de carvalho.

 

Mas levanta-se muito lentamente,

A contragosto, quase com desgosto,

Como se arrependido, como gente,

Que lacrima com lágrimas no rosto.

 

E sim, redime-se por fim, enfrenta

A folha branca até surgir a ideia,

Algures, por dentro de si, lamenta

Com um pranto que a mente devaneia.

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