Do Inquieto Oceano da Multidão

Do inquieto oceano da multidão 

veio a mim uma gota gentilmente 

suspirando: 



— Eu te amo, há longo tempo 

fiz uma extensa caminhada apenas 

para te olhar, tocar-te, 

pois não podia morrer 

sem te olhar uma vez antes, 

com o meu temor de perder-te depois. 



— Agora nos encontramos e olhamos, 

estamos salvos, 

retorna em paz ao oceano, meu amor, 

também sou parte do oceano, meu amor, 

não estamos assim tão separados, 

olha a imensa curvatura, 

a coesão de tudo tão perfeito! 

Quanto a mim e a ti, 

separa-nos o mar irresistível 

levando-nos algum tempo afastados, 

embora não possa afastar-nos sempre: 

não fiques impaciente — um breve espaço 

e fica certa de que eu saúdo o ar, 

a terra e o oceano, 

todos os dias ao pôr-do-sol 

por tua amada causa, meu amor. 



Ó HÍMEN! Ó HIMENEU! 



O hímen! O himeneu! 

Por que, me atormentas assim? 

Por que, me provocas só 

durante um breve momento? 

Por que é que não continuas? 

Por que, perdes logo a força? 

Será porque, se durasses 

além do breve momento, 

logo me matarias 

com certeza? 

 

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