As dores dos outros...

As dores dos outros corroem-me por dentro
Asilam-se na placenta da vida onde se esvai
o silêncio mais amniótico…quase agnóstico
Trucida-me a voz algemada a um lamento caótico
 
As dores dos outros apoquentam-me as preces já
marginalizadas no amargor enlutado de um eco penitente
Numa lástima ficarão as palavras amarrotadas num voraz
garrote de solidões encostadas aos destroços do dia indigente
 
As dores dos outros deixam meu mundo condenado e pungido
sobre a sanção punitiva de todos os ais e lamentos consternados
Sorvem das lágrimas o mosto da vida tão embriagada e prantiva
Endurecem cada bramido tão contrito, dolorido e quase proscrito
 
FC
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