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E fez-se luz...

E fez-se luz depois desta escuridão quase estridente e compulsiva
E a noite depois de despida acoitou-se no berço de uma palavra cativa
E o silêncio depois do silêncio jaz esquecido, estilhaçado e corrosivo
 
E fez-se luz depois de uma hora morrer além castrada e introspetiva
E a solidão indomável e grotesca imortalizou um breu quase consecutivo
E a saudade carente embriagou os neurónios a esta memória subtil e furtiva
 
E fez-se luz depois da combustão de preces ígneas flamejantes e depurativas
E no horizonte duas lágrimas enchem o odre das lamentações cumulativas
E no mar o meu olhar afoga-se nas margens das solidões tão compassivas
 
Frederico de Castro
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