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Flor

 

Flor
Flor, que na terra, ao levante erguida
Sob a cor da Natureza, tua mãe
Tens a pétala alta na flora viva
Ou caída a haste, se Inverno vem.
Tremendo, com as abas, ao vento agreste
Fragrante, a oscilar, bel e perfeita
Desnuda à tua crista, nenhuma veste
Ao sol, esse raio que te endireita.
Todos te colhem, és esperança, o mundo quis
Esse odor que ninguém tem, és invejada
Porque da gleba nasceu profunda tua raiz
E ao céu que fez a leiva és perfumada.
E dos campos, e dos bosques, a face fina
És meretriz somente porque te querem
Que da paisagem és desfolhada, a mór flausina
E por amor, sem querer, todos te ferem.
Que por paixão, és alegria, ou infelicidade
És Primavera, quando vens, tua semente
Assim tu és sem grilhão à liberdade
E toda tu, despida a nu, o ar te vente.
Flor
II
Que me tirou dons, a tua brote
Esse círculo anelar, a fronte ornata
À terra pura e viça, airoso dote
De ser seduz flora, bel e exacta.
Aurélia, dentro de ti, nesse casular
Elísia, que és abóbada, aro da vida
No Inverno és murcha, no Verão pétalar
Ao sol és haste, ao frio tolhida.
E baloiças à luz, também te curvas
Que te ergues, redonda, nem sempre cálida
Tu ao mundo, nua, nunca perturbas
No silêncio imaculado dessa crisálida.
Fresca, do campo ou bosquial
Silvestre, esferal sublime do nascimento
Nessa colmeia de odores, és especial
Se me faltas no jardim do colhimento.
Se te excluis, Anteia deusa, tenho saudade
Desse espinho que rasga a Gaia natureza
E que dá a paz edénia e majestade
Essa que finda a guerra pela beleza.
Essa que acaba por cair, foi puritana
Como do Éden, do Paraíso, rainha ungida
Por ser anã, e mais pequena, é mais arcana
E se tocada à barbárie fica sofrida.
Do néctar em cor, és inocência
Porque respiras cega nessa deleita
Arqueada, nunca medes a tua imênsia
Nunca finges no Canaã tua perfeita.
Flor
III
Tua pupa crisalar, do teu hibérno
É minha aurora, e vespertina, esse dueto
Porque te vais embora no frio Inverno
E no quente Verão odeias preto?
Então se a cúpula fragrante da tua arcada
Se arquear ao vento céu que é soprante
Estejas tu posta na terra mais raizada
Quando ele fizer tremer, cambaleante.
E o zimbório curvo, que tens no topo
Essa abóbada circular como um moinho
Ainda me faz, de mim ausente, somente pouco
Ainda me faz na saudade o mór sozinho.
Porque te trago na recórda da Natureza
Como o passado que é insónio, ou tão onírico
Desse sonho que a flora rara à tal verdeza
Fez Elísio ser celeste, santo e edílico.
Podias ser uma rosa, ou uma camélia
Dessas colhidas por veneno, ou por ternura
Que ao embrião te fechas na tua aurélia
Essa concha que a haste tem e te segura.
Que eu descanso, tu nunca dormes, repousante
Sempre atenta, e de vigília, com as antenas
De face ao sol, e a cauda tão salivante
Pedindo água dessa terra, de mil obscenas.
Que estás da terra acima, ao céu descida
Do sol abaixo, da lua, e à raiz subiste
Porque ficaste só tua minha, ou tua tida
Nesta plaga além Olimpo que nunca viste.
Como um farol, de noite e dia, serás afã
A esperança do mundo todo num bouquet
Que se dá feliz aos namorais, tu és galã
Num beijo terno de Cupido, tua mercê.
E trazes, como um sinal, a nós fecunda
Na gestação da Primavera, teu doce mel
Nessa auréola, que ao aro é tão rotunda
Nessa corôa que está ao alto, que é anel.

 

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