Guardião dos silêncios
Autor: Frederico De Castro on Friday, 9 January 2026

Na penumbra da minha solidão resguardo
Aquele sagaz sonho quase endeusado
Para quem o altar dos lamentos é um lugar
Sagrado embalando cada silêncio tão devassado
A manhã lânguida etérea e recompensada
Desfragmenta cada gomo de luz que se desnuda
Pelas brumas desta ilusão paralisada, até de perder
No labirinto das palavras que são sempre apaixonadas
E assim jorra na esperança aquela memória quase
Arrebatada qual açoite que cinzela cada hora desfeita
Numa milimétrica emoção inebriante e insuspeita
Uma réstia de solidão ainda amordaça um pequeno
Vestígio daquela caricia fundida num beijo excedido
Ou num incabível momento de prazer assim rendido
Frederico de Castro
Género: