Concursos

  Quer publicar o seu livro de Poesia? Clique aqui.

  Quer participar nas nossas Antologias? Clique aqui.

Lírio Avoliado

Espaço branco mental que deixei ocupar nesta devassidão de doces lírios que já não me animam cuidá-los. Os campos de outrora verdes que tanto amei, agora são murchados por avolia. Avolia espiritual essa que me aperta o coração por toda vez que devaneio em intuições circulares que não me levam a lugar algum. Sabe, esta avolia é aporia, ela tão incerta quanto sua própria proposição; não sei a verossimilhança dela para finalizá-la como concretização. Talvez tudo seja falta de um propósito, talvez seja a ausência de incômodo metafísico, ou todo meu campo que cuidei tenha levado um ataque vespas venenosas.

Anedonia da carne em saber que o relógio vira mais um segundo enquanto branquidão mental só está crescendo em sua girada de minutos. Estou deitado vendo os minutos passarem, enquanto a inexistência significativa de estar aqui mata meus lírios com seu magnânimo vendaval. Olhai os lírios do campo devastados por avolia de fé e veja como vossas aves morrem em seus ninhos e quanto os lírios definham, assim como vossos homens (Salomão) que também vestem avarezas e mentiras. Senhor, não há nada, só vejo o branco e esse branco não me é tão branco quanto vosso eterno brilho paliativo.

Género: