Licor

Beba-me aos poucos, trago a trago

devagar, como quem seduz a madrugada

busque a paixão

esqueça o frio e as incertezas

sinalize o desejo como prioridade

e lambuze-se em mim até não querer mais

eu farei o mesmo

te beberei como vinho antigo

com classe, com esmero apurado

cálice a cálice

até deixar-te nua

dos conceitos e preconceitos

num ritual de desejo profundo

pensado, planejado

pode ser que haja somente uma vez

ou dezenas, milhares

acaso seja, que seja sempre como a primeira vez

inédita, vigorosa, cheia de tensão

que sejamos a mistura perfeita

que embriaga aos poucos

onde não se acha um, mas agora dois

fundidos

que explodam dentro das taças

os licores e as cores do mundo

para adoçar o céu de nossas bocas

que vadias

permitem alguma confissão...
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