Mãe

Ela não admite
que o seu limite chegou
pois pudera:
Mulher maravilha
Maria bonita, mas
passa por alguma dor!
Ela não percebe
que o tempo desacelera
mas reverbera o amor.
Não vai para as escritas
pois apenas tem o conhecimento
que a sua mãe deixou.
Ela toma sol
horas a fio,
para disfarçar a melancolia
junto ao muro das lamentações
da casa onde mora, dá vista para a rua
fala com transeuntes e vizinhos
pensa na vida e nos mortos
em indivíduos incríveis
também nos ausentes de solidariedade necessária.
Dona Maria conservou sua pequena praça
por toda vida, esqueceu que
O mundo tem outras memoráveis
que deixamos de visitar.
O sol é o melhor remédio aos descamisados,
com excesso de inverno!
Às vezes desconfio que minha mãe
sempre andou devagar!
Já tomou chuva sem guarda-chuvas
viu muito trem lotado passar.
Minha mãe octogenária,
só não perdeu a fé.
Pergunta se o feijão está no fogo,
delirando no hospital, o seu mundo
atual sem abandonos.

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