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MOCIDADE E MORTE.

Solevantado o corpo, os olhos fitos,
As magras mãos cruzadas sobre o peito,
Vêde-o, tão moço, velador de angustias,
Pela alta noite em solitario leito.

Por essas faces pallidas, cavadas,
Olhae, em fio as lagrymas deslisam;
E com o pulso, que apressado bate,
Do coração os éstos harmonisam.

É que nas veias lhe circula a febre;
É que a fronte lhe alaga o suor frio;
É que lá dentro á dor, que o vai roendo,
Responde horrivel íntimo ciclo.

Encostando na mão o rosto acceso,
Fitou os olhos humidos de pranto
Na lampada mortal alli pendente,
E lá comsigo modulou um canto.

É um hymno de amor e de esperança?
É oração de angustia e de saudade?
Resignado na dor, saúda a morte,
Ou vibra aos céus blasphemia d'impiedade?

É isso tudo, tumultuando incerto
No delírio febril daquella mente
Que, balouçada á borda do sepulchro,
Volve após si a vista longamente.

É a poesia a murmurar-lhe na alma
Ultima nota de quebrada lyra;
É o gemido do tombar do cedro;
É triste adeus do trovador que expira.

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