MONCHIQUE – À LUZ DAS CHAMAS

"MONCHIQUE – À LUZ DAS CHAMAS"

Homem animal perverso, que ferida fecha o tempo gasto em dores? Se a voz da Natureza soprasse na flauta de ossos dos animais queimados e expelisse os ares da tua ganância sobre a terra amortalhada, rebentando os tímpanos com o crepitar do fogo, talvez procurasses redenção para chorar as formas de vida que se afundaram em cinza no breu da noite.

É a ganância do homem
trepando ao inferno,
com todas as letras
do vocabulário da hipocrisia.
Por dentro e por fora
através de imagens de fumo,
hectares de natureza e amor
jazem queimados,
da serra até ao mar.
Vida em cinzas marcadas de dor,
são pegadas impressas
que não podemos ignorar.
--------------------------------------------- (Nas pancadas silentes do tempo)
Todos os dedos da heresia
se erguem das fronteiras do pó,
todos os medos da cobardia,
escondidos num caixão de fogo negro,
retaliam visões sepulcrais.
Serra de luto vestida, entre cinzas e dormência,
aqui onde estou, choro de forma sentida,
minhas lágrimas rolam por vendavais,
com o desaparecer da tua opulência.
O trovejar do luto, quiçá, será nó
que marcará os relâmpagos do esquecimento,
no interlúdio da ressurreição da vida.

Atrás de todas as ruínas dos mistérios, estás tu homem, animal perverso! Cada vez mais a Terra vai deixando o anel vazio….,depois nada fica nada resta….. Fenecerás sobre as águas proféticas lançadas pelos becos das trevas. O anjo petrificado cobrirá os teus olhos com o vil metal quando ascenderes para o Juízo Final. Assim teus olhos cobertos com o fruto da ganância verterão para a alma o peso da avareza expiando as metamorfoses do mundo.

João Murty - O Poeta da Ribeira
Agosto - 2018
«POR SONHOS E UTOPIAS»

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Comentários

AMADO POETA! ONDE TU ESTÁS? ME APARECESTES COMO UM MISTÉRIO GLORIOSO E COMO UM MISTÉRIO DOLOROSO SUMISTES. CÁ, ESTOU EU A TE PROCURAR. E... QUEM DERA; UM DIA! UM DIA... PUDERES TE ENCONTRAR!

Madalena Cordeiro ( A poetisa das palavras doces)