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Morte em Vida

"Há momentos em que cada um grita: — Eu não vivi! eu não vivi! eu não vivi! Há momentos em que deparamos com outra figura maior, que nos mete medo. A vida é só isto?"
BRANDÃO, Raul "Húmus", 1ª edição, Matosinhos, Tipografia Peres, Abril de 2008

 

 

Lucubra em litania e sem refrigério,
Num Chronos bergsoniano que o Orco endora,
Como efluxo da geena, inça cada hora,
Aflui ao algar da "Paisagem" (1), ao cinéreo.

E de mortalha umbrátil, viso céreo,
De estase, em funeral (2), livor que acora,
Num amplexo a Melpómene, vê embora
Raiar um brandão apodíctico ou um psaltério:

Na antinomia de um dó (3) que uste Descartes (4),
Se em Dieppe (5), da Anfitrite, o estorno é zero.
Dimana de Eos o "Adagio" (6), aúne, e dessarte

O páramo talvez avoque um mero
Remir "a Ave da Vida" (7), o agror e "Carpe
diem quam minimum credula postero." (8)

 

(1) REMBRANDT - Paisagem, 1640. óleo sobre tela, 51 x 72 cm

(2) DICKINSON, Emily "I felt a Funeral, in my Brain", 1861

(3) MAHLER, Gustav - Sinfonia n.º 5 em dó sustenido menor, 1902

(4) DESCARTES, René "As Paixões da Alma", 1649

(5) DELACROIX, Eugène - The Sea from the Heights of Dieppe, 1852. óleo sobre madeira, 35 x 51 cm – Museu do Louvre, Paris

(6) RACHMANINOV, Sergei - Symphony No. 2 Op. 27 III. Adagio: Adagio (LSO), 1907

(7) BLAVATSKY, Helena "A Voz do Silêncio", 1998, edição 494, tradução de Fernando Pessoa, Assírio & Alvim

(8) HORATIUS, Flaccus Quintus "Odes", 23 a.C.e 13 a.C.

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