O amuleto do desajeitado

Ando pela rua 

E tropeço na calçada 

Despeço-me da miúda 

E ela não me diz nada 

 

Perco no dado 

Perco na moeda ao ar 

Quantos espelhos parti 

Para ter este azar 

 

A sorte veio e nunca mais voltou  

Contra mim todo o vento virou 

Deixou-me com um dado viciado 

Nunca mais rodou para o meu lado 

 

A sorte veio e nunca mais voltou 

Deixou-me a pensar na noite que me beijou 

De entre as teias desta vida oportuna 

Não tenho a sorte de fazer fortuna 

 

Não há gato preto 

Não há qualquer escada 

Que me deixe a vida 

Mais desgraçada 

 

Já nem faço apostas 

Já nem jogo às cartas 

Todas as miúdas que conheço 

Já vêm atadas 

 

A sorte veio e nunca mais voltou  

Contra mim todo o vento virou 

Deixou me com um dado viciado 

Nunca mais rodou para o meu lado 

 

A sorte veio e nunca mais voltou 

Deixou-me a pensar na noite que me beijou 

De entre as teias desta vida oportuna 

Não tenho a sorte de fazer fortuna 

 

A sorte passa 

Mas cai sempre ao lado 

Sou o amuleto 

Do desajeitado 

 

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