O que nos devora...

O que nos devora...
 
Às vezes apetece-me mesmo 
fechar os olhos
e sair por aí
deixar-me consumir como o restolho
sentindo que tudo é passageiro
até a solidão onde me recolho
preparando-me hoje 
mais que confinado
às bermas de uma enorme tempestade
recostada neste cântico sentido
sem nunca ter outro motivo
que não seja estar aqui
ser aguerrido, como outrora
nesta ânsia total que nos devora
como o imenso desfalecer
arrebatado no sono sereno
qual inacabada poesia
onde em ti, mais refeito, fui amanhecer.
FC
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