Onde

Onde estamos que não nos vemos mais?

Onde a poesia que jazia

Quente, viscosa e vital como o sangue

Escondeu-se que não lhe ouvimos

Nem o mais leve sussurro?

 

Em que imensidão estamos

Imersos, e cegos, e surdos

Alheios à prosa?

Perdidos, enfurnados no vazio…

Num imenso vazio repleto de poeira;

Resíduos de sentimentos não sentidos,

De palavras não expressas,

De risos virtuais.

Isolados e isolantes como se ninguém

Fosse alguém o bastante para nos merecer.

 

Agora

Lá fora,

Há todo um mundo

De ilhas

A milhas e milhas distantes

De qualquer lugar…

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