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*PHANTASIAS DA LUA*

Terret, lustrat, agit proserpiua, Luna, Diana, Ima, supernas,
     feras, sceptro, fulgore, sagitta.
     (Distico de Hieronim)

Hontem fui atravez dos arvoredos,
--Os bons carvalhos épicos rugosos!--
Com _ella_, como dous novos esposos,
--E a lua então contou-nos mil segredos!--

Ella vinha estreitada contra mim--
E atravez das veredas seculares,
Dava a lua umas sombras singulares
Á sua alva botinha de setim!...

Não haviam estatuas nas veredas,
--As estatuas crueis entre as ramagens!--
E ouvia-se o ranger das suas sedas
Sobre as folhas,--segindo-a como uns pagens.

Tremia todo unido contra o meu,
Como uma ave, seu braço palpitante;
E era vago, qual musica distante,
O azul nocturno mistico do Ceu.

De vez em quando unia contra a minha
A sua mão mais branca que um cyrio,
E como um casto amante uma rainha
Seguia atraz do seu vestido um lyrio.

As fontes tinham agoas de brilhantes;
E em quanto a sua voz vibrava em mim,
Eu fitava seus olhos avidos, amantes,
Na sua alva botinha de setim.

Ella é fragil e timida. Ama as rosas,
Crê nos sonhos, _visões_, nos malmequeres,--
E chora com as musicas nervosas
Como as debeis e mysticas mulheres.

No entanto mais ninguem do que eu receia
Seus pobres, frageis nervos delicados!
Ninguem mais me seduz do que a sereia,
Correndo a mão fransina nos teclados!

Iamos assim fallando d'escudeiros,
Paladins, lendas, dramas, toda a escura
Edade media, em quanto na espessura,
Os rouxinoes cantavam nos loureiros.

Mas eis que pára... e diz-me de repente,
Cravando-me o olhar tragico sublime,
--Mata-me um dia!--E eu li, perfeitamente,
--Em seus olhos _azues_ o _amor_ do Crime!--

Mata-me tu! cruel! disse-lhe eu rindo,
E em quanto o seu olhar errava em mim,--
E enterra-me depois n'um sitio lindo,
--N'um loureiro que cresce em teu jardim!

Minha alma ali será perto da tua,
Como as almas irmãs, branca sereia,
E tremerei nas folhas, pela lua,
Ao sentir teus pésinhos sobre a areia!

Manda pôr o meu corpo em sitio lindo,
Debaixo d'um loureiro, em teu jardim;
Meu bem! Mata-me tu! disse-lhe rindo:--
Ensanguenta as botinhas de setim!

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E eis aqui como em noutes amorosas
Nestes bons climas callidos do Sul,
Produz sonhos, _chymeras_ monstruosas,
A triforme immortal--a lua azul!

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