Tão vazio que enche
Autor: Egas de Souza on Sunday, 30 November 2025

Anoiteceu.
Fundações ruem e defesas quebram,
As vozes calam em coro organizado
E os espelhos da alma não mais refletem.
As horas cerradas invocam criaturas
Dos confins do mundo e do pensamento
Para uma macabra festa de dança
De melancolia e vontades desoladas.
Anoiteceu.
Se tudo já ardeu e carvão resta apenas,
Não nos sobra senão a chuva penosa
Que roga pelo coração dos sofridos.
É a hora de calar o som do mundo
E apagar as luzes da paixão e ir dormir.
O silêncio é o Amor que me acude,
Tão vazio que enche o peito com a tua voz.
Género: