Tão vazio que enche

Anoiteceu.
Fundações ruem e defesas quebram,
As vozes calam em coro organizado
E os espelhos da alma não mais refletem.

As horas cerradas invocam criaturas
Dos confins do mundo e do pensamento
Para uma macabra festa de dança
De melancolia e vontades desoladas.

Anoiteceu.
Se tudo já ardeu e carvão resta apenas,
Não nos sobra senão a chuva penosa
Que roga pelo coração dos sofridos.

É a hora de calar o som do mundo
E apagar as luzes da paixão e ir dormir.
O silêncio é o Amor que me acude,
Tão vazio que enche o peito com a tua voz.

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