Tenho sede das palavras

Sequioso beberico o genoma das palavras nutritivas
Estirpo-as, esventro-as até dessedentar-me com o
voraz paladar linguístico de cada verbo intuitivo
Algemo a adjetivação alojada no mais semântico
eco escrito no dorso de uma hipérbole definitiva
 
Sinto sede das palavras vadiando no magistério
dos meus paradoxos extrapolados, quase asfixiados
Em franco climax sorvo da caligrafia o espectro de um
verso manuscrito até à exaustão dos silêncios sensitivos
Aplaco a verborreia descritiva na grafia do meu ego emotivo
 
Aspirando com avidez um gustativo afago tão apetitoso
sufoco envolto em preposições e substantivos deleitosos
Com paixão fecundo sílabas e grafemas deambulando na
vocabularidade gramatical de um gerúndio radical e ostentoso
E num exíguo predicativo delego minha oratória assim enamorada
FC
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