Um ano. E mais nada.

Me sinto presa. Dentro desses dias tão bem delimitados que não passam. Me perco mentindo que vou seguindo, na verdade vivo marcando o passo.

Me sinto distante. É estranho porque como disse antes vivo ligada, amarrada a esse instante. Como pode ser assim tão presente, aparente, se tudo que vejo é o vazio na minha estante.

Me sinto confusa. O que quero, o que sofro, o porque dessa suplica?

Me sinto pedante. Pra que tanto alarde, tanto barulho por uma dor que sustento faz tanto tempo? Na verdade faz parte, e em mim tudo se guarde. Porque por mais que eu grite, quem me interessa não liga, não me invade.

Me sinto desnecessária. Quando tudo que eu faço é sofrer calada, quando minhas amarras não sentem minha falta. Covarde que sou me faço de forte, coitada.

Me sinto sozinha. Meus amigos não me fazem carinho. Não percebem que é deles que preciso. E no fim passam os dias tão longe. Sem precisar de auxilio. Sem desejar. Eu.

Me sinto sem chão. Quando tudo que faço é sentir nostalgia. E perceber que tudo se perde, tudo caminha. E os velhos tempos ficaram pra trás.

Me sinto cansada. De ir e voltar tentando achar a resposta. De olhar o rio buscando a mesma fração de alegria. De vigiar o sono da minha angustia que acorda quando penso. Peno. Em agonia.

Não quero mais me sentir. Só busco agora distração. Se tem lugar pra onde ir, se não tem não busco explicação.

Os olhos e lábios vou contemplar. Não tenho palavras pra esperar.

E se tudo não passa de ilusão. Verdades imutáveis não entram nessa canção.

Foi tudo lindo mas agora adeus. Boa sorte e que mudemos de uma vez.

Que eu consiga me livrar dessa maldição. De tentar viver sempre a mesma emoção.

De vocês. De mim. De nós.


É a última estrofe. Acabado entre nós... E agora você liga?

E então?

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